Mailing List - Sobre o Moderador

Nasceu há 38 anos em Lisboa, na Maternidade Magalhães Coutinho que por coincidência (ou talvez não...) fechou meses depois. Parto normal; no entanto viu negada a pretensão de alta clínica, por, segundo fonte bem informada "faltarem uns acabamentos" (sic). "O mundo talvez não estivesse preparado para lidar com ele", segundo o próprio, mas "Deus nos livre!" segundo os médicos.

Frequentou a Escola Primária Masculina Nº 37 de Lisboa, que por coincidência (ou talvez não...) fechou as suas portas uns anos mais tarde, para renascer como Universidade Luis de Camões. "Há coincidências deveras curiosas", segundo o próprio...

Desde tenra idade adepto do Movimento Escutista, ingressou aos 7 anos no Grupo Nº 7 da Associação de Escuteiros de Portugal em Lisboa, que curiosamente não fecharia as suas portas uns anos depois. Colaborou activamente durante 13 anos em vários graus da hierarquia escutista. "Inestimável valor em termos de experiência de vida" segundo o próprio; "Tirem-me este gajo daqui!" segundo as chefias.

Com a idade de 14 anos ingressa no Sport Lisboa e Benfica "disposto a praticar uma modalidade qualquer" de preferência atletismo. Não consegue explicar o porquê da escolha, mas "aquele gajo, o Aniceto Simões é um nabo que nunca ganha nada e está a desgraçar-me a reputação". Devido a uma infeliz troca de indicações, consegue juntar-se a uma equipa de iniciados de Basketball e ainda hoje se interroga "Porque raio um treino de atletismo é feito num pavilhão cheio de gente com mais de 1,80 metros...". Relembrará para sempre as palavras do treinador, que finda uma hora e meia de treino esforçado lhe disse "Você devia pensar em treinar atletismo". Dois anos de meio fundo e fundo a subir e a descer encostas em Monsanto serviram-lhe de emenda e concluiu a sua curta carreira desportiva. Curiosamente o clube não fechou ainda as portas, mas a avaliar pelo estado do Estádio nunca se sabe...

Educado segundo os princípios mais rígidos da Religião Católica, frequenta a Igreja de Santa Marta em Lisboa, que seria (curiosamente) demolida 7 anos após o seu baptismo cristão, levado a efeito em 1964. O oficiante da cerimónia, D.Qualquer Coisa do Nascimento é actualmente Bispo de Luanda, o que, não sendo verdadeiramente curioso, não deixa de ser preocupante...

Essa cerimónia de baptismo é ainda recordada no seu círculo familiar como "O Berreiro", mas na opinião da mãe "tudo se deveu a um terrível lapso com um alfinete de dama aberto".

Dotado de uma energia estranhamente inesgotável, entrega-se a todas as actividades possíveis na órbita da Igreja da sua paróquia. "É dotado de uma entrega generosa" nas palavras do pároco local, "E miúdas? Há lá miúdas?" nas palavras do próprio. Fez carreira efémera no coro da Igreja do Sagrado Coração de Jesus (curiosamente ainda não demolida...), no Grupo de Jovens do Coração de Jesus, no Grupo de Acólitos do Padre Manuel Maria e em variadíssimas actividades de carácter religioso. "Um grupo extraordinário de jovens" na opinião do pároco, "uma quadrilha de corrécios da pior espécie" no entender do próprio. Desiludido na sua relação com a Igreja, rapidamente procura outros ambientes. Radical, com múltiplos interesses culturais, dedica-se de alma e coração à leitura. Descobre Salgari, Verne e Dumas ao mesmo tempo que Dostoyevsky e a Crónica Feminina. Adopta múltiplos hobbies: Química, que abandona precocemente por imposição familiar, depois de alguns "acidentes" na sua opinião; "Um dia destes queimas-me a casa meu grande malandro!" na opinião de terceiros; electrónica, filatelia, numismática, rádio amadorismo, música, poesia, escrita e outras de que não guarda sequer memória.

Contra a sua própria vontade ingressa na Escola Industrial Machado de Castro onde é confrontado com a necessidade de "aprender um ofício", coisa da qual se desinteressou completamente quando se viu confrontado com "a necessidade de saber dominar a técnica da limagem do ferro" segundo os seus mestres de Mecanotecnia, "aquela merda que nunca mais fica à esquadria" na sua própria versão. Faz "os mínimos necessários para sobreviver no meio escolar", "uma porcaria de notas" segundo fonte bem informada.

Vive o Verão Quente e os heróicos tempos do PREC na crista da onda. Não perde uma manif, RGA ou assembleia de trabalhadores. Não sabe muito bem o que lá faz, "mas é giro e há que partir os dentes à reacção". É nessa fase que tem o primeiro choque com a realidade da vida, quando depois de ter feito pinturas murais no emprego do seu pai (do lado de dentro do prédio) tem de justificar os motivos porque apelidou de nazi o patrão do progenitor. Anula as sua militâncias comunistas e outras coisas acabadas em "istas", desliga-se da Revolução Socialista e adia por algum tempo os seus planos de mudar o mundo sózinho e de bolsos vazios.

No Verão de 1979 toma a decisão de fundo da sua vida e findas as actividades escolares desse ano inicia a busca daquilo que considera ser a sua ambição legítima: "Um emprego temporário que lhe permita aumentar os rendimentos, mas que seja ao mesmo tempo uma actividade digna e nobre, de preferência sem ter que suar muito". Dotado de escassos conhecimentos e contactos no mercado de trabalho, leva a efeito buscas incessantes nos jornais dominicais, buscas essas que não surtem grande efeito. Acaba por ser admitido no Pavilhão de Tiro A Luminosa, na Feira Popular de Lisboa, com a missão de carregar as espingardas de chumbos, uma actividade "em que de facto não se suava muito". Ainda hoje a sua mãe não gosta
muito de falar no assunto...

Envereda pelo Ensino nocturno na Escola Secundária D.Maria I (não precisam de dotes extraordinários para saber o que aconteceu à escola uns anos depois...) onde abraça o Curso Complementar de Secretariado e Relações Públicas. Detesta-o, principalmente a cadeira de Organização e Métodos. Apesar disso conclui o Curso; apenas um professor entra de baixa clínica por motivos psiquiátricos durante esses dois anos.

Em 1980 informa a família que decidiu aceitar um emprego numa empresa de informática, decisão que na data muito consterna os seus familiares. "Esses tipos dos computadores são muito estranhos" (uma frase da sua mãe que anos mais tarde confirmaria pessoalmente) não o demove de prosseguir o intento. A entrevista de admissão foi um sucesso na sua opinião, dado que o empregador falava sem parar e o candidato a informático quase não abriu a boca. A resposta mais utilizada foi o sim, mesmo quando o entrevistador inquiriu sobre os seus conhecimentos em hexadecimal. Mentalmente terá, segundo dizem, pensado "Vá você!". Possuidor de um profundo desconhecimento sobre tudo o que se relacionasse com computadores foi nas palavras do patrão "começar por baixo". Ainda hoje se interroga se foi essa a razão de o seu local de trabalho ter sido numa cave... Especializou-se em perfuração de cartões, aos comandos de uma Bull a cair aos pedaços. Desiludido com a profunda monotonia da profissão, tenta fugir para Paris, o que consegue, mas regressa 3 semanas depois sem que aparentemente ninguém tivesse dado pela sua falta.

(Continua quando tiver paciência)